Anvisa propõe mudanças na rotulagem de alimentos industrializados

O objetivo da proposta é tornar as informações nutricionais mais claras para o consumidor.

As coisas não andam muito fáceis para a indústria alimentícia. Nos últimos anos, uma série de restrições vêm sendo impostas ao setor, como por exemplo a taxação sobre formulações com excesso de açúcar e restrições à publicidade infantil. Tais esforços significam uma tentativa de colocar um freio às doenças relacionadas à obesidade, um dos grandes males do século 21.

A última derrota, no Brasil, foi imposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Deve ser aprovada até o fim deste ano, uma nova resolução sobre a rotulagem dos alimentos industrializados. A Anvisa defende a adoção de um sistema semelhante ao usado no Chile, que consiste em um alerta frontal de advertência, contendo as frases ‘alto em açúcares’, ‘alto em gorduras saturadas’ e ‘alto em sódio’. A padronização das porções nas tabelas nutricionais (em 100 mg ou 100 ml) é outra exigência da agência. Além das advertências, os produtos processados e ultraprocessados não poderão apresentar informação que transmita a ideia de que o alimento é saudável, nem ter sua comunicação voltada ao público infantil, como por exemplo o uso de personagens e desenhos do universo infantil.

O principal objetivo da Anvisa é ajudar os consumidores a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis, oferecendo informação clara, simples e compreensível sobre alimentos e bebidas, tendo em vista a dificuldade dos consumidores para entender os rótulos. Além disso, alertas frontais diretos, como ‘alto em açúcares’, devem induzir a indústria a alterar formulações de produtos.

O que diz a indústria?

A indústria defende o modelo de semáforo nutricional, com o uso das cores verde, amarelo e vermelho para traduzir as informações sobre o teor de açúcares, gordura e sódio dos produtos. De acordo com uma pesquisa do Ibope de 2017, 67% da população também preferem o sistema de semáforo.

Pablo Cesário, gerente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que o setor produtivo não considera a proposta da Anvisa a mais adequada. “A população, quando confrontada com os dois modelos, prefere o semáforo. Inclusive para pessoas que têm menor nível educacional”, disse. Segundo ele, o mais adequado seria apresentar informações em “proporções domésticas”, com dados nutricionais em números de biscoitos por pacotes, colheres, xícaras, etc. Para o vice-presidente da ABIA (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação), José Flavio Arouche de Souza, o semáforo educa o consumidor a respeito das informações alimentares e nutricionais do produto.

Elogios da ONU

Como ainda existe muito debate pela frente, e o setor regulado também precisa ser ouvido, a Anvisa decidiu abrir consulta pública sobre o tema, com o objetivo de ouvir a opinião da sociedade civil. A iniciativa recebeu elogios da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que defende desde o ano passado a adoção das advertências frontais nas embalagens.
O organismo da ONU acredita que a medida permitirá que o consumidor faça escolhas mais saudáveis ao saber, com maior clareza, quais são os produtos com alto teor de nutrientes críticos, como açúcar, sódio e gordura saturada.

O Chile foi o primeiro país sul americano a adotar o sistema de rotulagem frontal nos alimentos. A medida veio se popularizando com o passar dos anos e, hoje, países como Canadá, Uruguai e Peru já estão com debates bastante avançados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *