Na contramão da pandemia, exportações ganham fôlego durante a crise.

Repercute-se à exaustão os efeitos devastadores da pandemia do novo coronavírus na economia mundial. Estima-se uma recessão de -3% no PIB global, segundo o FMI. Por aqui, a projeção do Ministério da Economia é de um recuo de 4,7%. Mas o estrago, segundo analistas, promete ser pelo menos o dobro.

A desidratação da economia atinge mercados, câmbios e o consumo nos países ricos, que são os principais compradores das commodities agrícolas brasileiras. Não bastasse todo um cenário amplamente desolador, o Brasil tem sua imagem internacional criticamente alvejada pela maneira inconsequente e absurda com que lida com a pandemia, e pelo descaso criminoso com o meio ambiente – depois da Amazônia, transmite-se agora o Pantanal ser carbonizado ao vivo e em chamas para o mundo todo.

Na contramão da distopia, o agronegócio brasileiro vem sustentando o crescimento das exportações durante crise. Nos dois primeiros meses do ano, a receita cambial com as exportações do setor sofreu com o encolhimento das compras dos países asiáticos e  europeus, que se readequavam para o combate ao novo coronavírus. Em abril, entretanto, a receita atingiu um recorde histórico, rompendo os US$ 10 bilhões,  25% superior ao mesmo período de 2019. Um dos motivos foi a retomada da China às compras após o controle do surto da Covid-19 por lá. Das 120 milhões de toneladas de soja que o Brasil deve produzir nesta safra, 77 milhões serão voltadas para a exportação, sendo 66 milhões apenas para os chineses.

A soja brasileira é a mais competitiva e sustentável do mundo. No Brasil, devido ao clima, é possível produzir de duas a três safras de grãos por ano, algo sem precedentes em outras partes do mundo. Em Minas Gerais a safra de grãos que está sendo colhida em 2020 também será recorde, de acordo com Ana Maria Valentini, Secretária de Estado de Agricultura de MG. Ela informa que o café também terá um desempenho expressivo no estado, com safra estimada em mais de 30 milhões de sacas.

Durante e após o período de isolamento social, inúmeros países passarão a demandar alimentos do Brasil. A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria e Serviços (SECEX) divulgou que nos cinco primeiros dias de maio, o Brasil exportou 53,5 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 10,7 mil toneladas e expansão de 89,31% em comparação com 2019, que registrou uma média de 5,65 mil toneladas. A estimativa é passar das 200 mil toneladas até o fim do mês e, se a expectativa se cumprir, será um recorde. Nenhuma unidade produtiva na área de bovinos suspendeu as atividades no país em função da pandemia.

Inúmeros indicadores prenunciam um empobrecimento agudo de grande parte das populações após a pandemia, levando o mercado a valorizar os produtos mais baratos e de melhor qualidade. Portanto, é fundamental a diversificação na produção, tanto de produtos destinados à exportação como para o mercado interno, para aumentar a capacidade de recuperação dos sistemas produtivos. O Brasil terá a oportunidade de valorizar e melhorar seu papel como produtor global de alimentos, atendo-se aos critérios de sustentabilidade. 

Apesar da crise sanitária mundial, o valor bruto da produção (VBP) agropecuária no país em 2020 está calculado em R$ 697 bilhões pelo Ministério da Agricultura – R$ 7 bilhões a mais do que era previsto em março, e 8,6% superior ao do ano passado. “O mundo está nos olhando. É muito importante mantermos o mercado neste momento e tratar bem os clientes quando estão frágeis. Esperamos que o Brasil saia da crise como um exportador ainda melhor e maior do que é hoje”, afirma Eduardo Sampaio, secretário do Ministério da Agricultura.

Fonte: Dinheiro Rural

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