A JBS SA do Brasil, maior empresa de carnes do mundo, tem uma mensagem para os carnívoros dos EUA: temos como abastecê-los!

Em meio a uma série de paralisações de frigoríficos nos EUA causadas pela pandemia do novo coronavírus, o diretor financeiro da JBS afirmou que a empresa pode aumentar as exportações a partir da Austrália e tem capacidade ociosa no Brasil pronta para iniciar o envio de  remessas de carne bovina para os EUA.

“Nossa diversificação geográfica tem sido uma proteção natural contra barreiras comerciais e questões sanitárias”,

disse o CFO Guilherme Cavalcanti em um webinar patrocinado pela Genial Investimentos. “Agora, essa flexibilidade funcionou como uma alternativa e  garantia de fornecimento na atual crise.”

A Minerva SA, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, também está pronta para atender às necessidades dos americanos a partir de oito fábricas no Brasil, Argentina e Uruguai, segundo o diretor financeiro Edison Ticle. As vendas da empresa para os EUA aumentaram desde o início de abril, quando as perspectivas de abastecimento de carne no país começaram a se deteriorar. “Rapidamente, os EUA se tornaram um cliente importante”. Pelo menos 22 frigoríficos em solo norte-americano fecharam nos últimos quatro meses, reduzindo a capacidade de processamento de suínos em 25%, e a de carne bovina em 10%, afirma um sindicato de trabalhadores da alimentação. A Marfrig Global Foods SA, outra gigante brasileira do segmento, engrossa a escalação de empresas aptas a enviar carne para lá a partir dos três países da América do Sul nos quais atua.

Os EUA reabriram o mercado para a carne bovina fresca do Brasil em fevereiro, após suspender as compras em 2017 por questões de segurança. Com a retomada, o Brasil pode exportar para os ianques cerca de 60 mil toneladas por ano em uma cota de importação livre de tarifas comuns a outras nações. Os embarques que excederem  este limite devem pagar uma tarifa de 26%. Argentina e Uruguai têm suas próprias cota no mercado de carne bovina dos EUA.

A JBS, com sede em São Paulo, opera em 15 países. ”Estamos bem posicionados para lidar com qualquer mudança na demanda por carne suína, bovina ou de frango”,  disse Guilherme Cavalcanti. A empresa foi uma das mais afetadas por escândalos de corrupção que vieram à tona, desde 2017, com a Operação Lava Jato.

Para as empresas brasileiras de carne, os transtornos causados pela peste suína africana parecem ter surtido efeitos positivos. As ações da JBS subiram 18% no último mês; enquanto as da Marfrig tiveram aumento de 42%; e as da Minerva, de 50%.

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