Com educação e tecnologia, startup joga luz para a grave questão do desperdício de alimentos. 

Vivemos no Planeta Fome. Enquanto uma turba de terraplanistas gasta muita energia e latim vociferando que a Terra não é redonda, mais de 820 milhões de pessoas passam fome no mundo, das quais 42 milhões estão na América Latina e Caribe. Com a crise arrebatora provocada pela pandemia, estes números devem crescer exponencialmente, tal qual o novo coronavírus. Se focarmos no Brasil, a realidade assume nuances ainda mais cruéis. Portanto, iniciativas civis que ajudem a minimizar esta realidade aterradora são imprescindíveis e precisam ser amplamente conhecidas e apoiadas pela sociedade civil e pela indústria. Uma delas é a Comida Invisível, um hub de soluções tecnológicas de combate ao desperdício.

A startup foi criada pela advogada Daniela Leite para refletir e agir contra o mau gerenciamento dos nossos recursos. “Atuamos em algumas frentes, mas todas elas conectadas com a educação. No aplicativo, nós ligamos que tem alimentos bons e próprios com quem precisa deles. Já nas redes sociais, a gente traz informação, possibilidades de uso integral de ingredientes e um repensar amplo para a prática do desperdício”.

Daniela Leite (Divulgação)

Certificado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) com o selo Save Food, o Comida Invisível repensa e propõe soluções para uma volumosa (e triste) engrenagem que desperdiça mais de 41 milhões de toneladas de alimentos por ano só no Brasil. Além disso, fomenta a prática de hábitos sustentáveis de consumo, aumenta a reciclagem e contribui para a diminuição de gases de efeito estufa no planeta.

Olga Vlahou (Divulgação)

Na prática, quem puder doar precisa se cadastrar no aplicativo Comida Invisível, informar qual alimento pretende doar com validade, data e forma de entrega. Com a aceitação da doação pelo receptor, o doador confirma se poderá fazer a entrega ou se ela terá de ser retirada. Importante ressaltar que todos assinam compromissos de responsabilidade sobre manipulação dos alimentos, além de participar de um treinamento online sobre armazenamento e preparo de alimentos, de acordo com  as normas da Anvisa. Assim, o app promove a conexão de restaurantes, indústrias e outros estabelecimentos com creches, ONGs ou mesmo pessoas físicas que precisem de alimentos, tudo através de geolocalização.

“O que esse aplicativo traz, acima de tudo, é uma noção ampla de comunidade. Se a gente consegue aprender a usar os alimentos e aplicar estas práticas ao nosso cotidiano, podemos usar o Comida Invisível para espalhar e dividir o que nós temos com outras pessoas que precisam. Isso gera uma mudança muito grande na sociedade, até radical eu diria”, filosofa a chef, apresentadora e ativista Paolla Carosella

A equivocada cultura da abundância gera o desperdício e, mais do que nunca, ela precisa ‘sair de moda’. Educação, informação e reflexão são elementos  fundamentais neste processo necessário de mudança de paradigmas cujo objetivo maior é acabar com o triste déficit alimentar do planeta.

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