Ex-melhor restaurante do mundo reabriu como hamburgueria e bar de vinho na pandemia.

Com o colapso do setor de food service causado pela pandemia, uma dúvida tomou conta do mundo: qual o futuro dos restaurantes de alta gastronomia? As opiniões são controversas. Para muitos, a diminuição do poder aquisitivo causada pela crise econômica global aliada a uma busca das pessoas por experiências mais espontâneas, menos ritualísticas por assim dizer, decretarão o fim deste formato. Para citar um exemplo no Brasil, Roberta Sudbrack – chef que pavimentou extensa  e incensada carreira na alta gastronomia- há quatro anos rompeu com o modelo que a consagrou motivada, em grande parte, pelos argumentos acima. Já outros defendem que, assim que a retomada dos restaurantes acontecer de maneira efetiva, estes restaurantes serão os menos afetados pelas restrições impostas pelo distanciamento nos salões. Um deles é o chef Thomas Troisgros, que numa live recentemente comentou: “Com esta redução de 30% a 50% da ocupação, os restaurantes de alta gastronomia sofrerão muito menos, pois as mesas já são mais espaçadas naturalmente. Acredito que os estabelecimentos que dependem de fluxo alto serão mais prejudicados”. 
Divergências à parte, o chef dinamarquês René Redzepi resolveu não esperar pra ver (e agir) e mudou tudo radicalmente logo no começo da pandemia. Criador de um dos restaurantes mais importantes da década na gastronomia de vanguarda,  ele surpreendeu ao reabrir seu Noma, eleito quatro vezes o melhor do mundo,  numa  inesperada versão 3.0.

Noma (Reprodução Instagram – @nomacph)

Com os restaurantes começando a reabrir na capital dinamarquesa, a ‘instituição de Copenhagen’, como o Noma é tratado por lá, virou uma hamburgueria informal, com sanduíches e vinhos. Saem os menus degustação de US$ 400 dólares, entra um hambúrguer feito com fraldinha dry-aged, o famoso molho de carne fermentado do chef, queijo cheddar, cebola roxa fatiada e maionese de picles, vendido por US$ 15. A única variação é uma versão vegetariana. E só!

Noma (Reprodução Instagram – @nomacph)

“São tempos loucos e incertos. Por enquanto, seremos um bar sem reservas, com vinhos e hambúrgueres. Precisamos nos curar, então vamos tomar uma taça e comer um hambúrguer no terraço, todos estão convidados.”, postou o chef.

A dúvida que fica é: quando o mundo voltar à ‘normalidade’, o restaurante que ressignificou a gastronomia nórdica trará de volta seu conceito menos democrático? É esperar pra ver. 

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