Ou como utilizar os recursos naturais com consciência e de forma harmoniosa com o meio ambiente.

A premissa mais ampla da permacultura é de que ela existe para diminuir a entropia, o grau de desordem e energia desperdiçada no planeta. Na prática, é uma caixa de ferramentas multidisciplinar que reúne agricultura, captação de água e hidrologia, energia, construção natural, silvicultura, gestão de resíduos, sistemas animais, aquicultura, tecnologia apropriada, economia e desenvolvimento comunitário. Todos esses pilares numa interação permanente que envolve  cuidado com a terra, com as pessoas e a partilha justa dos excedentes e recursos. Plantio, água, energia e bioconstrução

Embora pareça uma abordagem recente, a permacultura está prestes a completar 50 anos. Foi desenvolvida nos 1970, na Austrália, pelos  ecologistas e acadêmicos Bill Mollison e David Holmgren. Mollison foi orientador de Holmgren e, durante o processo, conseguiram, juntos, sistematizar um conhecimento ancestral de forma metodológica, numa espécie de bíblia de melhores práticas, capaz de fazer com que a nossa civilização prospere a partir de uma cultura da permanência. Na década seguinte, Mollison publicaria o seu Manual de Design em Permacultura, maior referência sobre o tema até hoje. Rapidamente, o termo difundiu-se na América do Norte e na Europa. Na publicação, o autor a define como “um projeto que leva à manutenção de ecossistemas agrícolas com diversidade, estabilidade e resiliência dos ecossistemas naturais”.  

Bill explica que a inspiração para criar o sistema surgiu por acreditarem que o ser humano é um dos grandes culpados por grande parte dos problemas que acometem o planeta.

“Não temos desenvolvido em nenhum lugar do mundo ocidental – e duvido muito que em qualquer outro lugar, a não ser em áreas tribais – nenhum modelo sustentável de agricultura ou manejo de florestas. Nós não temos um sistema”.

Bill Mollison

Ele desembarcou no Brasil pela primeira vez na Eco 92 para lançar seu  PDC (Curso de Design em Permacultura). Como consequência, surgiriam os primeiros institutos de permacultura na Bahia, em Manaus e no Rio Grande do Sul.

Embora baseada em modelos ecológicos positivos, a permacultura cria uma ecologia cultivada, que é projetada para produzir mais alimentação humana e animal do que seria encontrada naturalmente. Portanto, a definição de permacultura é também a interação entre uma cultura permanente – caso das frutas arbóreas, café e reflorestamento – com outras culturas temporárias como hortaliças, cereais e até mesmo a criação de animais.

Além da interação entre as espécies, a permacultura trata de usar os animais para adubar o solo, pois este nutre a planta, que, por sua vez, coopera na alimentação animal. Em alguns anos, esse sistema tende a ser mais empregado no Brasil por causa do desenvolvimento da tecnologia de cercas elétricas. Pode-se fazer rotação com aves, patos, cabras, ovelhas e gado leiteiro.

Outra grande vantagem da permacultura, sob o viés humano, é a interação entre os mais diversos profissionais na hora de se pensar um projeto ou sistema. Estabelece-se uma visão holística, fruto do processo contínuo de troca de saberes e informações que pode acontecer tanto em  contextos rurais quanto na cidade. A permacultura urbana propõe a otimização de pequenos espaços, redução de consumo, reciclagem e reutilização de resíduos domésticos. Prioriza a redução do desperdício energético, adequando nossos costumes e infra-estrutura para uma melhor utilização dos recursos.  

Portanto, a permacultura vai muito além da agricultura e da própria agroecologia –  disciplina científica que usa a teoria ecológica para avaliar e gerir os sistemas agrícolas para que eles sejam produtivos e sustentáveis -, pois municia seus praticantes de princípios, métodos e técnicas que se estendem por inúmeras áreas, desde a construção de lares e criação de comunidades autossuficientes e produtivas, com sistemas de geração de energia e captação de água próprios, até uma total reorganização pessoal, econômica, social e política, integrando-se assim a vários aspectos da vida. A permacultura se expande a partir de uma base filosófica orientada em princípios máximos de ética, através do cuidado pleno e constante tanto com o meio ambiente quanto com todas as pessoas envolvidas.

Quer mergulhar no universo da permacultura?

O PDC (Permaculture Design Certificate Course) é um curso completo de Permacultura com o conteúdo oficial estabelecido pelo Syllabus, dos cientistas australianos Bill Mollison David Holmgren. No total, são 80 horas com aulas teóricas e práticas, que podem ser divididas em módulos ou feitas por meio de um processo imersivo.

Permacultura: Um novo estilo de vida‘: o documentário feito por alunos das Faculdades Integradas Rio Branco traz depoimentos dos principais nomes da permacultura no Brasil.

No portal da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) há uma página exclusivamente voltada para debates e discussões sobre a permacultura em diferentes contextos.

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