Vamos comer algo rápido?

Os fast-food estão por toda parte. Espalhados nas melhores localizações das grandes cidades do mundo, eles representam uma época globalizada, plastificada e pasteurizada do consumo de alimento. Trouxeram uma oferta de produtos indulgentes bastante generosos em sal, açúcar, gorduras trans e outros ingredientes responsáveis pelo aumento da obesidade e das doenças crônicas em escala global. Poucas crianças e adultos não saberiam identificar um Big Mac. Nos Estados Unidos, há mais de 200 mil restaurantes desse tipo, e estima-se que mais de 50 milhões de americanos comem fast-food todo santo dia.

Mas de uns tempos para cá, vem ganhando terreno o chamado fast-good, variação igualmente rápida, mas que aposta em opções mais frescas e saudáveis. Estariam os  fast-junk-food’ entrando em declínio? Com o surgimento de novas cadeias nos últimos anos, percebe-se que muitos consumidores não abrirão mais mão da qualidade em detrimento do tempo de consumo. Eles querem as duas coisas. E o novo coronavírus certamente causará uma aceleração dessa tendência afinal, mais do que nunca, as pessoas estão valorizando a própria saúde. Enquanto as grandes redes tradicionais precisam se reinventar e buscar inovação a qualquer custo, os recém-chegados surfam a onda do wellness e do wellbeing (bem-estar) com um posicionamento mais claro.

A norte-americana Sweetgreen é um exemplo disso. A marca já representa uma verdadeira revolução no mercado e pretende virar a Starbucks da salada. Fundada em 2007 por estudantes cansados de não encontrar opções saudáveis no  campus da universidade, é a única empresa unicórnio do segmento – já é avaliada em um bilhão de dólares e continua captando recursos para expansão. Com um marketing divertido, e uma experiência de consumo rápida e agradável, a Sweetgreen aposta em mensagens que valorizam a  simplicidade, o sazonal e o saudável. A oferta é objetiva: “montar a salada do seu jeito, a qualquer hora do dia.” O aplicativo da marca – que permite agilizar a experiência na loja ou pedir um delivery – já foi baixado por mais de um milhão de pessoas. A empresa retrata uma nova era de modelo de negócio, já tem mais de 100 lojas espalhadas pelos Estados Unidos e inspira outros players mundo afora, como  é o caso da Jour no mercado francês.

Quem diria que um fast-food de comida mexicana poderia ser percebido como uma opção mais saudável? A Chipotle, que já teve até o McDonald’s como sócio, hoje compete diretamente com grandes conglomerados como Burger King, Wendy’s e KFC. A marca nasceu com uma filosofia clara: oferecer uma comida rápida feita à base ingredientes frescos. O mix de ofertas resume-se a tacos, burritos e saladas, com uma experiência baseada em preço competitivo e ambiente casual. “Comida com integridade” é um dos motes da Chipotle,  fundada em 1993, e que hoje possui mais de 2000 restaurantes entre Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França e Alemanha. Há muitas controvérsias e polêmicas envolvendo o grupo, incluindo questões como condições de trabalho dos funcionários, contaminação e intoxicação de clientes e pouco comprometimento em relação ao comércio justo com os fornecedores. Enquanto a marca vende o conceito de ingredientes naturais,  orgânicos e sem ingredientes transgênicos, muitos agricultores e produtores questionam a veracidade do seu engajamento. Polêmicas à parte, estas empresas representam uma tendência inevitável de consumo: a busca por opções de comida ‘de verdade’, rápida e feita na hora.

Enquanto novas marcas estão incomodando e mudando o status quo desse mercado, os fast-food tradicionais estão se mexendo e apostando em inovação. 

Abaixo, listamos as principais tendências:

  1. A invasão do sistema de delivery é um fato. As pessoas estão esperando mais opções dos aplicativos e sistemas de entrega.
  1. O crescimento de ofertas plant based, que representam o lado saudável e consciente de comer. O declínio do consumo de carne animal marca um novo momento no universo fast-food.
    > vegan burger mac donalds / burger king
    > impossible budger whooper
  1. Mix de bebidas mais saudáveis. Antes dominado pelos refrigerantes, o mercado agora oferece águas aromatizadas, sucos e komchuchas.
  1. A sustentabilidade é inevitável. As pessoas estão mais atentas à geração de plástico, ainda mais quando se trata de um produto consumido de forma rápida.
    > starbucks muda embalagens
    > geração de plástico
    > Impossible Whooper®
    > Starbucks leite vegetal 
  1. A automação virou regra número um para algumas, enquanto outras preferem apostar no contato e sorriso humano para fortalecer sua experiência de marca.
    > menos contato / pagamento
    > totem automação delivery
    > balcão com sorrisos
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