Inovação em embalagens e diminuição de resíduos são tendências globais da indústria de bebidas

Acompanhando uma tendência da indústria no caminho da sustentabilidade, a mineira YVY Destilaria lançou na semana passada uma garrafa de gim reutilizável, com refil em lata de todos os rótulos do catálogo. Com isso, a marca encabeça uma iniciativa inédita no mercado de bebidas mundial.  As vantagens do novo modelo vão desde os impactos ambientais positivos – que incluem pegada de carbono 10 vezes menor que a do vidro – até o  aspecto econômico. A precificação da bebida é determinada pelo produto final, incluindo a embalagem de vidro descartada, que apresenta um custo mais alto do que o do alumínio. Com a lata, o valor reduz de forma significativa e permite ao bar ou restaurante ser mais competitivo na sua oferta de bebidas e coquetéis nacionais.

 “A indústria de destilados depende da garrafa de vidro, isso é inegável. A questão é que na maior parte das vezes ela é utilizada como um item descartável. Com o refil em lata, ela volta a ser usada como o que realmente é, um bem durável. Além disso, o alumínio representa o maior percentual de reciclagem no país. Por isso, esta é uma iniciativa única, pioneira, que, acreditamos, pode ser ampliada para todo o setor no futuro.”

André Sá Fortes, fundador e CEO da YVY


A mecânica é simples: após receber um kit inicial – com garrafa reutilizável, pulseiras e tampas de silicone nas cores e denominações de cada produto – , o cliente passa a comprar apenas o refil em lata (710 ml).  O projeto é uma parceria com a Ball (maior fabricante de latas do mundo) e por enquanto se restringe ao universo de food service, onde o descarte das garrafas é maior.

YVY

Mundo afora, novas tecnologias para reduzir a geração do maior vilão entre os descartáveis: o plástico

Metade do plástico produzido globalmente é projetada para ser usada apenas uma vez, o que equivale a 300 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, de acordo com um relatório das Nações Unidas de 2018. No ritmo atual de descarte, em 2050 os oceanos terão mais plástico do que peixe. Portanto, a sustentabilidade está mais em pauta do que nunca na indústria de bebidas, com marcas estreantes inovando com garrafas biodegradáveis ​​feitas de materiais naturais ou apostando nas latas de alumínio. 

A britânica Earlybirds é uma bebida de café da manhã plant-based e sem aditivos químicos embalada em uma garrafa feita de cana-de-açúcar. A presença da biomassa significa que ela é totalmente compostável e biodegradável em apenas 12 semanas.

Earlybirds

Já a da americana Cove – que se intitula a primeira marca de água envasada com material totalmente biodegradável – é feita de PHA (polihidroxialcanoato) e se decompõe em dióxido de carbono, água e matéria orgânica após cerca de cinco anos em qualquer situação, desde a terra firme até os oceanos. O frasco pode ser reutilizado por seis meses.

Cove

Em 2014, a startup de Chicago Open Water foi recebida com desconfiança pelo varejo ao apresentar sua água em lata. O tempo passou, e a receita da empresa cresceu 300% em 2019, terceiro ano consecutivo de crescimento na ordem de três dígitos e o primeiro a dar lucro. Segundo Nicole Doucet, CEO da Open Water, até dezembro a companhia terá vendido unidades suficientes para substituir 20 milhões de garrafas plásticas.

Open water

Mas as gigantes também estão correndo atrás do prejuízo. À medida que os consumidores ficam mais informados sobre os resíduos das bebidas engarrafadas – e as startups pressionam com novas tecnologias -, as majors também respondem com uma série de inovações nos materiais. A Coca-Cola, por exemplo, anunciou a nova garrafa híbrida da água Dasani, feita de uma combinação de plantas e plástico reciclado. A iniciativa, segundo a empresa, removerá pelo menos um bilhão de garrafas plásticas virgens de sua cadeia de suprimentos nos próximos cinco anos.

Dasani

No universo dos alcoólicos, a Diageo –  fabricante de Johnnie Walker, Smirnoff e Guinness, entre outras – anunciou a criação da primeira garrafa de bebida destilada feita inteiramente de papel oriundo de madeira sustentável. O lançamento será em 2021 – com uma tiragem inicial de Johnnie Walker – e marca o início das atividades da Pulpex Limited, startup de tecnologia de embalagem sustentável, fruto de uma parceria entre a própria Diageo e a empresa de gerenciamento de risco Pilot Lite.

Johnnie Walker

O objetivo da Pulpex Limited é ter seu modelo absorvido por todo o mercado. Por isso, foi criado um consórcio de empresas parceiras em categorias não concorrentes – entre elas Unilever e Pepsico – que pretendem lançar suas próprias garrafas de papel com base no formato padrão da Pulpex Limited. “Estamos orgulhosos de ter criado esta tecnologia. Ela permitirá que as marcas repensem seus designs de embalagem ou movam designs existentes para o papel, sem comprometer a qualidade existente dos produtos. Esta garrafa tem o potencial de ser verdadeiramente inovadora”, adiantou Ewan Andrew, diretor de sustentabilidade da Diageo PLC.

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